Brasil e China aceleram discussões para acordo Mercosul–China

Lula e Xi Jinping concordaram em acelerar negociações comerciais estratégicas

Em conversa de mais de uma hora, Lula e Xi Jinping defenderam a aceleração das tratativas para um acordo comercial entre Mercosul e China, movimento que ganha força após o endurecimento das políticas tarifárias dos Estados Unidos e pode redesenhar os fluxos de comércio internacional da América do Sul.

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping concordaram, em telefonema realizado em 26 de julho, sobre a importância de acelerar as negociações de um acordo Mercosul-China, buscando um modelo que contemple as “flexibilidades necessárias” para atender os interesses dos países membros do bloco sul-americano. O tema foi tratado juntamente com cooperação em inteligência artificial, minerais críticos, fertilizantes, satélites e fortalecimento do comércio bilateral.

Embora não exista ainda um cronograma formal de negociações nem uma proposta consolidada de tratado, o sinal político emitido pelos dois governos é considerado um dos movimentos mais relevantes do comércio internacional em 2026.

O momento não é aleatório. A aproximação ocorre poucos dias após a implementação de novas tarifas norte-americanas sobre diversos produtos brasileiros, o que intensificou o debate sobre diversificação de mercados e redução da dependência de destinos tradicionais de exportação. O próprio governo brasileiro destacou, durante o telefonema, seu compromisso com a ampliação de mercados e parceiros comerciais.

Além do acordo comercial, Brasil e China discutiram cooperação em setores considerados estratégicos para a economia do futuro, incluindo inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes. Esses temas mostram que a relação bilateral está avançando além das tradicionais exportações de soja, minério de ferro e proteína animal.

O que foi decidido

O caminho, contudo, está longe de ser simples. Como as negociações envolvem todo o Mercosul, qualquer avanço depende do consenso com os demais integrantes do bloco. Além disso, setores industriais sul-americanos tendem a manifestar preocupação com uma possível ampliação da concorrência de produtos manufaturados chineses.

Entre os temas complementares discutidos, estão:

  • Inteligência artificial
  • Satélites
  • Minerais críticos
  • Fertilizantes
  • Ampliação de cooperação tecnológica

Impactos esperados:

  • Expansão das exportações brasileiras para a Ásia no setor de agronegócio para: carnes, soja, milho, celulose, algodão e frutas processadas
  • Novas oportunidades para agronegócio e manufatura, porém parte da industria nacional pode pressionar por mecanismos de proteção devido ao aumento potencial das importações chinesas.
  • Redesenho de rotas logísticas marítimas no Pacífico, com aumento de fluxos Brasil-China, com reflexos diretos nos portos de Santos, Paranaguá, Itapoá, Itajaí, Navegantes e Rio Grande.
  • Maior demanda por contêineres, especialmente refrigerados para proteina animal.
  • Potencial acordo para revisão de regras de origem, adequação documental e novos controles de benefícios tarifários.
  • Potencial necessidade de atualização de sistemas de classificação fiscal e gestão aduaneira.

Fontes: Agencia Brasil / O Globo / Jornal do Comércio / Gazeta News