Aviação internacional passa a operar sob exigências ambientais mais rígidas a partir de 2027.
O Brasil foi incluído na segunda fase do CORSIA (Carbon Offsetting and Reduction Scheme for International Aviation), programa da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI) que estabelece mecanismos de monitoramento, reporte e compensação das emissões de carbono geradas pelos voos internacionais. A nova etapa entra em vigor em 1º de janeiro de 2027 e amplia as obrigações das companhias aéreas que operam rotas internacionais envolvendo o país.

O CORSIA foi criado para limitar o crescimento das emissões de CO₂ da aviação internacional por meio da combinação de compensações de carbono, aumento da eficiência operacional, renovação de frotas e ampliação do uso de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF). A implementação ocorreu em três etapas: fase piloto (2021-2023), primeira fase (2024-2026) e segunda fase (2027-2035). Enquanto as duas primeiras tiveram adesão voluntária dos países, a terceira passa a seguir critérios obrigatórios definidos pela OACI.
Com a inclusão do Brasil, as rotas internacionais entre o país e os demais Estados participantes ficarão sujeitas às regras de compensação previstas pelo programa. As empresas aéreas deverão continuar reportando suas emissões e, quando ultrapassarem a linha de base estabelecida, precisarão adquirir créditos de carbono elegíveis ou reduzir seu impacto ambiental por meio de combustíveis sustentáveis certificados.
Impactos Esperados
- Aumento dos custos operacionais para as companhias aéreas com aquisição de créditos de carbono e investimentos em descarbonização;
- Fortalecimento da demanda por combustíveis sustentáveis de aviação (SAF);
- Aceleração da renovação de frotas por aeronaves mais eficientes em consumo de combustível;
- Crescente valorização de soluções voltadas à redução de emissões e eficiência operacional.
Leitura de Mercado
A inclusão do Brasil na fase obrigatória do CORSIA fortalece uma tendência global já consolidada: a descarbonização da aviação deixa de ser uma agenda reputacional e passa a influenciar diretamente a competitividade das empresas do setor.
Para o agronegócio, a indústria de biocombustíveis e o segmento sucroenergético, abre-se uma oportunidade importante. O Brasil possui disponibilidade de biomassa, experiência consolidada em biocombustíveis e potencial para se tornar um dos principais fornecedores mundiais de matérias-primas destinadas à produção de SAF. Empresas ligadas à produção de etanol, óleos vegetais, resíduos agrícolas e tecnologias de combustíveis renováveis devem observar aumento do interesse de investidores e operadores internacionais.
Por outro lado, os desafios são igualmente relevantes. A produção global de SAF ainda é insuficiente para atender à demanda projetada, e os custos permanecem significativamente superiores aos do querosene convencional. Isso tende a pressionar margens das companhias aéreas e pode dificultar a velocidade da transição energética do setor.
Os fabricantes de aeronaves, como Embraer, Airbus e Boeing, também enfrentam um ambiente mais complexo. O mercado passa a exigir equipamentos cada vez mais eficientes no consumo de combustível, compatíveis com misturas crescentes de SAF e preparados para futuras tecnologias de propulsão de baixo carbono. Isso implica investimentos elevados em pesquisa, certificações, desenvolvimento tecnológico e modernização de produtos. Ao mesmo tempo, clientes demandam soluções sustentáveis sem aceitar aumentos expressivos nos preços das aeronaves, comprimindo a rentabilidade do setor.
Outro desafio é o risco de fragmentação regulatória. Embora o CORSIA tenha sido concebido como mecanismo global, diversos países e blocos econômicos vêm adotando políticas próprias de redução de emissões, criando um ambiente regulatório mais complexo para fabricantes, companhias aéreas e fornecedores da cadeia aeronáutica.
Em síntese, o CORSIA amplia as oportunidades para a indústria brasileira de combustíveis renováveis e para empresas inseridas na agenda ESG, mas também marca o início de uma fase de maiores custos, exigências regulatórias e desafios tecnológicos para toda a cadeia da aviação. Os vencedores desse novo ciclo tendem a ser os agentes capazes de combinar eficiência operacional, inovação tecnológica e redução efetiva das emissões de carbono.
Fontes: CORSIA / Gov.Br / Aeroin / Verra.org