A Comissão Europeia colocou em operação a infraestrutura do Digital Product Passport (DPP), que permitirá rastrear origem, composição, pegada de carbono, reparabilidade e materiais de diversos produtos
O mercado europeu, em um futuro próximo, exigirá dos fornecedores internacionais muito mais do que apenas o certfificado de origem.

Impacto:
- Rastreabilidade passa a ser requisito comercial;
- Exportadores precisarão compartilhar dados da cadeia produtiva;
- Compliance deixa de ser apenas documental.
O que o DPP exige divulgar?
Dependendo do setor, o passaporte digital poderá conter informações como:
- Origem das matérias-primas;
- Composição do Produto;
- Conteúdo reciclado;
- Pegada de carbono;
- Reparabilidade;
- Instruções de manutenção;
- Informações de conformidade regulatória;
- Descarte e reciclagem.
Numa leitura superficial, pode-se supor que as empresas terão que revelar segredos industriais para o mercado, quando na prática, o regualador europeu busca equilibrar 3 interesses conflitantes:
- Transparência e Sustentabilidade;
- Defesa da concorrência e propriedade intelectual;
- Proteção de dados comerciais sensíveis.
A Comissão Europeia destaca que o DPP deverá disponibilizar informações de forma controlada para diferentes grupos de usuários, liberando diferentes perfis de acesso a depender to tipo de usuário.
Como isso impacta exportadores brasileiros?
Muito mais do que parece, várias empresas brasileiras hoje exportam para a Europa usando descrições relativamente genéricas, como por exemplo:
- Polímeros especiais
- Compostos Químicos
- Alimentos processados
- Ingredientes industriais
- Produtos farmacêuticos
Com a evolução da DPP, será necessário estruturar dados do produto, rastrear fornecedores, controlar versões de informações, classificar o que é público e o que é confidencial.
Ainda assim, avalio que o risco não está na divulgação do processo produtivo em si, mas no efeito cumulativo dos dados, pois juntas as informações passam a revelar a estratégia de compras, os fornecedores preferenciais, o nível tecnológico, o posicionamento industrial e a dependência geográfica da cadeia. Setores como baterias, semicondutores, químicos, defesa, automotivo e máquinas industriais já se preocupam com essa mudança.
Será um desafio compartilhar dados sem revelar segredos.
Fonte: European Comission / Syndex / UFSC